Por Luna Faioli Ribeiro / @lunafaioli
Por trás de todo pequeno ou grande curso universitário, existem associações que não apenas representam, mas
unificam, amplificam e promovem relações entre as mais diversas pessoas no ambiente universitário. Talvez você
as conheça como as famosas criadoras das grandes e mais frequentadas festas dentro das universidades
brasileiras, sim, são as atléticas.
As atléticas podem ser definidas como associações estudantis que organizam e promovem atividades esportivas
sociais e culturais, integrando os alunos de uma ou mais faculdades.
A AAFAFICH, Associação Atlética da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, foi fundada em 11 de
setembro de 2013 pela aluna de Gestão Pública Débora Malaguth e é responsável por todo o esportivo e
integração de mais de 3 mil alunos de graduação que estudam na FAFICH, IGC e FAE, além de organizar festas e
marcar participação em diversos eventos. Mas não só isso: para além de uma mera instituição representativa, a
AAFAFICH é responsável por unificar alunos de 18 cursos diferentes e possui cerca de 200 atletas em 16
modalidades esportivas e 70 pessoas compondo a gestão, sendo considerada uma das maiores atléticas da
UFMG.
Gestão atual da Associação Atlética da Faculde de Filosofia e Ciências Humanas e logo da associação.
É importante citar que a organização é um elemento essencial e está presente dentro e fora de quadra. A atlética
da FAFICH conta com 7 diretorias, sendo elas: comunicação, comercial, administrativo, esportes, eventos,
parcerias e finanças e gestão de pessoas, todas empenhadas em construir, expandir e evoluir os limites do que
podem proporcionar à faculdade e a seus alunos.
Em conversa com o atual presidente da Atlética de Filosofia e Ciências Humanas, Jonas Alves, o mesmo
afirmou que a associação “é uma porta de acesso ao lazer e ao esporte, o que muitas vezes não se inseria
na realidade de alguns alunos provindos de escola pública, além de ser essencial para a vivência na
faculdade. Não basta apenas estudar, é preciso ter lazer, cultura e momentos para se dispensar do meio
acadêmico e a atlética compre esse requisito”.
Hoje, no Brasil, a atlética da FAFICH é só mais uma entre as outras 14 atléticas existentes apenas na UFMG.
Mas a pergunta que fica é: de onde surgiram e por que tamanha é a importância dessas instituições?
Bom, tudo começa por uma volta histórica às primeiras faculdades brasileiras. Segundo artigo publicado na
revista científica SciELO Brasil, em 1933, se tem os registros das primeiras instituições esportivas universitárias
nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, região onde surgem as primeiras universidades do país.
Cabe ressaltar que se tratava ainda de um meio muito elitista, visto que apenas aqueles de alto valor aquisitivo
frequentavam instituições de ensino superior, o que explica a facilidade com que os estudantes acessavam figuras
políticas poderosas. Tal fato esclarece como se deu o início da tradição de festas dentro das atléticas, visto que,
frente a tal acessibilidade, os estudantes frequentemente recorriam ao apoio financeiro de autoridades políticas
para a promoção de festas.
Falando mais sobre a estrutura educacional em que se inserem as Universidades da época, percebe-se uma certa
contradição, visto que possuíam um viés mais intelectual e acadêmico de ensino, muito influenciado pelos
moldes franceses. Isso significa que não era muito comum se dedicar ao esporte, muito menos participar de
competições, uma vez que essas questões eram integradas de forma totalmente limitada, apenas para a
manutenção da saúde, com foco na estética corporal e na disciplina moral.
As primeiras atléticas surgem, então, da vontade de se promover o esporte, a cultura universitária e a identidade
dos estudantes. É por volta da década de 1930 que aparecem os primeiros grandes eventos de caráter esportivo
voltados para as instituições de ensino superior, como a 1° Olimpíada Universitária Brasileira em 1935, que
contou com cerca de 500 estudantes de 6 estados diferentes e mais de 7 modalidades esportivas, como foi
publicado na época no Correio Paulistano. Acontece que esse cenário muda bastante pouco tempo depois.
O Estado Novo, de Getúlio Vargas, em 1941, passa a controlar o esporte universitário por meio da criação de
federações e, a partir desse momento, se apropria das instituições para que essas atendessem seus objetivos
políticos como parte de um esforço para disciplinar a juventude e torná-la nacionalista. É aí que inspirado pelos
regimes fascistas europeus, as práticas esportivas passam a ser valorizadas como ferramentas de formação moral,
física e patriótica, sendo a educação física incorporada ao currículo de caráter obrigatório, como pode ser visto
no Decreto de Lei n. 3.199, oficializado em 14 de abril de 1941, que estabelece as bases de organização dos
desportos (esportes) em todo o país.
Segundo o presidente da AAFAFICH, Jonas, apesar de toda a história das atléticas, a exemplo da
desmobilização de movimentos estudantis, hoje o contexto é muito diferente. Ele diz que a atlética, no seu
poder de influência atual e como associação representativa, busca não se posicionar politicamente, o que
não significa, porém, que ela se esquive das pautas que a afetam.
“A AAFAFICH não representa apenas a unidade acadêmica da FAFICH, mas também o Instituto de Geociências
e a Faculdade de Educação… são cursos de várias áreas do conhecimento e a gente tem contato com essas
pessoas de diversos tipos de pensamento. Então não só estar dentro do esporte, mas estar dentro dessa vivência
da atlética é muito importante, já que há uma troca muito grande de vivências e opiniões, além de influenciar
positivamente a saúde e a permanência estudantil dos alunos”.
É claro que esse modelo, que esteve presente na ditadura, se modifica muito na perspectiva atual, como citado na
fala anterior, rompendo ideologicamente com muito daquilo propagado durante a Era Vargas. Dessa forma, para
além das influências citadas, as atléticas brasileiras também se viram fortemente inspiradas pelo estilo de
organização e competitividade do sistema americano.
Enquanto no primeiro modelo francês o esporte se ligava a uma prática leve, recreativa e saudável, associada a
um espírito de classe e ordem, a abordagem americanizada carrega consigo um apelo por grandes torneios e
participação ativa dos estudantes não só dentro da quadra, mas também na torcida. Esse formato descontraído se
viu amplamente difundido nas atléticas brasileiras, não só a partir dos esportes, mas em eventos sociais e
culturais. Além disso, trouxe uma perspectiva mais inclusiva e democrática, contrastando com as influências
mais rígidas do modelo antigo.
Cheerleaders e time de vôlei feminino da AAFAFICH
A exemplo de tais movimentos inclusivos e de caráter social, no dia 28 de setembro a atlética da FAFICH
realizou o Simpósio Gênero em Quadra, um dos primeiros eventos acadêmicos esportivos voltados para gênero.
Foi um seminário muito completo com pautas voltadas para pessoas trans, mulheres e comunidade LGBTQIA +,
fim de promover a conscientização e educação sobre gênero no esporte, tendo em vista como os ambientes
acadêmico e esportivo podem ser desafiadores.
Palestrantes Nicole Rose, Dominic Braz e Nathan Meireles no evento Simpósio: Gênero em Quadra
O objetivo da AAFAFICH está muito ligado à inclusão e à diversidade, mas também a conversas e discussões
que abranjam todo o tipo de público e idade. Na última quinta feira dia 10 de outubro, foi realizado, em parceria
com a AAFAFICH um tour pelo campus da UFMG com a Escola Estadual Cândido Portinari, que incluiu uma
conversa com o atual Diretor de Gestão de Pessoas, Felipe Gonzaga, e a Diretora Esportiva, Nath Andrade. Em
conversa com os alunos da escola, que variavam do 1° a 3° ano do ensino médio, foi discutido um pouco sobre a
promoção do esporte, lazer e cultura dentro da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, bem como a sua
importância e relevância no ambiente estudantil.
O evento se mostrou positivo em diversos pontos e os alunos se mostraram muito interessados na realidade
incorporada a faculdade pela atlética, fazendo perguntas como: “Como é feito o processo seletivo dos times de
vocês?”, “Quem cuida da gestão, são os próprios alunos?”, “Qualquer pessoa pode entrar na atlética?”,
“Quem é de fora pode participar?”.
Em conversa com o Diretor Felipe Gonzaga o mesmo cita essa realidade muito dura de alguns contextos
de vivência onde não há a possibilidade de se realizar práticas esportivas e o quão importante se torna o
papel das atléticas nesse sentido.
“Quando eu vejo esse sentimento de unidade que a gente proporciona para as pessoas, para mim é sobre isso,
sobre elas terem um lugar pra serem elas mesmas, para praticarem o esporte que elas queiram, que talvez não foi
algo ofertado na cidade delas e nas escolas e ensinos médios que elas frequentaram. Acho que as atléticas, em
especial a de ciências humanas, existem hoje para provar que quando se trabalha bem e dá oportunidade para
todo mundo, as coisas deslancham”.
Diretor de Pessoas, Felipe Gonzaga, em conversa com os alunos da Escola Estadual Cândido Portinari
É evidente que as atléticas desde sempre foram não apenas uma forma de lazer e integração, mas uma forma de
criar legados dentro das faculdades, compreendendo instituições provindas do associativismo civil de estudantes
a fim de transformar as vivências dos próprios estudantes, e, além disso, mantida e organizada por esses, quase
sempre de forma independente, com pouco ou nenhum apoio estatal.
É por esses e outros motivos que a Associação Atlética da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas vem como
um projeto de formação de pessoas, de laços poderosos e de vivências para além do acadêmico. Um trabalho em
conjunto feito por muitas pessoas que acreditam no poder de mudar a vida umas das outras.
Como foi apontado por Jonas, presidente da AAFAFICH, “não é apenas um esporte amador universitário, não,
você está influenciando a vida das outras pessoas de alguma forma, deixando o ambiente do curso mais leve de
ser frequentado, tudo isso faz parte do que é estar na atlética e é no que se baseia toda a sua importância”.
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